ᴇsᴛᴇ sɪᴛᴇ ғᴀᴢ ᴘᴀʀᴛᴇ ᴅᴀ sᴀɴᴛᴀ sᴇ́ ᴅᴏ ᴍɪɴᴇᴄʀᴀғᴛ sᴏʙ ᴀ ᴄᴏʀᴏᴀ ᴅᴇ ʙᴇɴᴛᴏ vɪɪ ᴘᴘ.

Symbolum Dei - 2E

 


Symbolum Dei 

Editora São João 
Pe. Gabriel Monteiro 


Sumário

Prefácio 

Capítulo 1
- História da Heráldica Eclesiástica 

Capítulo 2
- Funções dos Brasões

Capítulo 3
- Brasões da Santa Igreja Católica





Prefácio

Venho ao leitor através deste livro trazer a ciência sobre a Heráldica Eclesiástica, sua história, Funções e seu uso ao dia-dia. Este importante fato que a igreja carregou durante Séculos em sua Tradição e História. 

Capítulo 1
- História da Heráldica Eclesiástica

O uso da Heráldica, Brasões e Símbolos se data do começo do Século XI, que servia como uma identificação de uma Pessoa, uma Cidade, Reino, Exército dentre outros... o Uso dos mesmos servia para identificar soldados e exércitos nos campos de batalha, também utilizado na questão documentária de um Reino ou uma Cidade, além da Assinatura o documento era acompanhado de um Brasão que simbolizava tal lugar ou autoridade. 

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana, também adotou este meio de identificação criando os Brasões de (Arqui)dioceses, Brasão da Santa Sé, Brasões dos Clérigos, Brasões de Congregações, Brasões de Igrejas dentre outros... O primeiro Papa a reconhecer o SEU PRÓPRIO Brasão foi o Papa Inocêncio III, muitos pensam que o primeiro fora Celestino III contudo o mesmo reconhecia como o Brasão DE SUA FAMÍLIA não o seu próprio. 

Embora alguns Papas não utilizavam o Timbre em seu Brasão como Bonifácio VIII, Eugênio IV e Adriano VI, a partir somente de João XXII começou a ser utilizada a Tiara Papal, combinada com as chaves de São Pedro por Nicolau V e Calisto III, as chaves também foram adotadas como símbolo da moeda oficial dos Estados Papais, a Lira Papal. 

Era muito comum os Papas medievais utilizarem o Brasão de Sua Família como sendo o Oficial, como os Della'rovere por Júlio II e Sisto IV, também como os Orsini de Nicolau III e Bento XIII, como os Médici de Leão X e Clemente VII, também os Borgias de Calisto III e Alexandre VI dentre outros... Se a família não tinha Brasão ou por decisão do Papa não utilizar o Brasão se sua família era contratado um Armeiro ou Brasoneiro para criar o Brasão do Pontifice com os elementos necessários. 

O Papa Pio X através da Bula Pontifícia "Inter Multiplices Curas" definiu um modelo certo para Cada Clérigo.

Após a Retirada da Tiara Papal por Paulo VI, Bento XVI seguiu seu exemplo retirando a Tiara Papal do Brasão Papal e colocando a Mitra, pois segundo ele a Tiara representa o poder terrestre do Papa já a Mitra o poder espiritual. 

Capítulo 2 
- Funções dos Brasões 

A função dos Brasões Eclesiásticos geralmente acompanhado de seu lema tem como a principal função representar a pessoa ou o lugar que o utiliza apresentando suas características ou do que ela serve ou acredita. 

Na questão documentária é como se fosse uma assinatura em forma de imagem, para a garantia de selos por exemplo, uma representação simples através de imagens.

Capítulo 3
- Brasões da Santa Igreja Católica 

Neste capítulo iremos entender cada tipo de Brasão para cada tipo de título ou clérigo. 


O Brasão do Sumo Pontifice é composto por uma Mitra com três faixas horizontais, todas elas unidas a uma faixa vertical, simboliza a jurisdição do Santo Padre, duas faixas ligadas a Mitra ultrapassando os limites do Brasão, as Chaves de São Pedro simbolizando o poder de desligar na terra e no céu, ambas ligadas por um cíngulo de 2 borlas. 


O Brasão do Cardeal-Carmelengo é recomendável a utilização apenas em Sede Vacante, é composto por 15 borlas ao lado direto e esquerdo, totalizando 30 borlas, temos também uma férula passando por trás do Brasão, contendo o Umbraculo acima ligado a cruz arquiepiscopal o capelo e as duas chaves de São Pedro. 


O Brasão dos Cardeais Decanos, Cardeais Patriarca e Cardeais Arcebispos é composto por 15 borlas em ambos os lados, contendo na parte inferior um pálio e na superior a cruz arquiepiscopal e acima o capelo.



Quando o Cardeal é Bispo (Diocesano ou Titular) usa no brasão a cruz episcopal sob o galero cardinalício.

Os presbíteros nomeados Cardeais que obtenham dispensa da ordenação episcopal usam somente o galero cardinalício no brasão. Até 1917 também diáconos ou clérigos com ordens menores podiam ser nomeados Cardeais ("cardeal leigo"), sendo estas as suas insígnias. Não possuem cruz, nem pálio, tem 30 borlas, 15 em cada lado.


Os Patriarcas latinos não elevados ao cardinalato usam no seu brasão o galero verde de 30 borlas bordadas a ouro e a cruz dupla. Todos os presentes Patriarcas latinos têm direito ao uso do pálio, sendo este também usado no brasão.


Os Primazes não elevados ao cardinalato usam no brasão o galero verde de 30 borlas e a cruz arquiepiscopal. Caso sejam Metropolitas usam também o pálio no brasão.


Os Arcebispos Metropolitanos, isto é os prelados que chefiam uma Arquidiocese Metropolitana, usam no brasão o galero verde de 20 borlas, a cruz arquiepiscopal e o pálio.


Os Arcebispos (Diocesanos não Metropolitas ou Titulares) usam no brasão o galero verde de 20 borlas e a cruz arquiepiscopal.


Os Arcebispos ad Personam, isto é os prelados a quem foi concedido o título pessoal de Arcebispo mas que chefiam uma Diocese ou são Arcebispos Coadjutores ou Auxiliares, usam no brasão o galero verde de 20 borlas e a cruz episcopal.


Os Bispos (Diocesanos, Coadjutores, Auxiliares ou Titulares) usam no brasão o galero verde de 12 borlas e a cruz episcopal. A mitra e o báculo, muito comuns no passado, desde 31 de março de 1969 com a Instrução Ut Sive Sollicite não são mais permitidos no brasão episcopal.


Os Abades com jurisdição sobre todos os fiéis circunscritos à sua Abadia Territorial, sejam clérigos, religiosos ou leigos (abades nullius) usam no seu brasão as insígnias episcopais, com o galero verde de 12 borlas, mas substituindo a cruz episcopal pelo báculo abacial (com velo, isto é um lenço, no nó).


Os Arquiabades e Abades Primazes usam no brasão o galero negro com 20 borlas e o báculo abacial.


Os abades Ordem Premonstratense, cujo hábito é inteiramente branco, costumam carimbar sua imagem de chapéu de prata pré-oficial


Os Abades e Priores Mitrados usam no brasão o galero negro com 12 borlas e o báculo abacial.


As Abadessas usam o brasão em elipse envolvido pelo terço e ornado pelo báculo abacial (com velo no nó).


Os 7 Protonotários Apostólicos Numerários usam no brasão o galero violeta com 20 borlas púrpuras. Também usam as mesmas insígnias os Juízes Auditores do Tribunal da Rota Romana, o Promotor-Geral de Justiça e o Defensor do Vínculo do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e os 4 Clérigos da Câmara Apostólica. Até o título ser abolido os Prelados di Fiochetto também usavam no brasão estas insígnias.


Os Protonotários Apostólicos Supranumerários usam no seu brasão o galero violeta com 12 borlas púrpuras.


Os Prelados de Honra de Sua Santidade usam no seu brasão o galero violeta com 12 borlas. Inclui-se, ainda, o uso do capelo vermelho, se houver autorização da Nunciatura Apostólica, ou ainda, da Santa Sé.


Os Capelães de Sua Santidade usam no brasão o galero negro com 12 borlas violetas.


Alguns Prelados têm o título de Monsenhor durante munere, isto é enquanto exercem determinadas funções. É o caso dos Bispos-Eleitos antes da ordenação episcopal, dos Administradores Diocesanos durante a Sede Vacante da Diocese e dos Vigários-Gerais de cada Diocese. Designam-se Monsenhores ad honorem e usam no brasão o galero negro de 12 borlas. Os Vigários-Gerais que após o fim do mandato mantenham o título como eméritos mantêm igualmente o estatuto de Monsenhor ad honorem e o respectivo brasão.


Os Cónegos das Basílicas Papais (Roma) usam no brasão o galero negro com 12 borlas violetas bordadas a ouro. Alguns Cabidos receberam o raro privilégio dos seus Cónegos usarem iguais insígnias.


Os Cónegos das Basílicas (fora de Roma) usam no brasão o galero negro com 12 borlas violetas. Vários Cabidos de Catedrais não Basílicas receberam o privilégio dos seus Cónegos usarem estas insígnias.


Os Vigários Episcopais, Vigários Judiciais e os Superiores de Ordem maiores usam no brasão o galero negro de 12 borlas. Caso sejam Cónegos de Basílica usam as respectivas insígnias.


Os Cónegos e Prior usam no brasão o galero negro de 6 borlas.


Os Vigários Forâneos, Arciprestes, Reitores e Superiores de Ordem menores usam no brasão o galero negro de 4 borlas.


Os Capelães Militares usam no brasão o galero negro de 2 borlas bordadas a ouro.


Os Presbíteros e Frades usam no brasão o galero negro de 2 borlas.


Os Diáconos e os Frades Diáconos usam no brasão o galero negro sem borlas.

Por privilégio papal, concedido por Clemente XII, o Patriarca de Lisboa orna o seu brasão de armas com a Tríplice Tiara e, no lugar das Chaves Pontifícias, com a cruz patriarcal e o báculo decussados. Caiu em desuso durante o século XX, passando os Patriarcas a usarem o modelo cardinalício ainda antes da criação como Cardeal (que por privilégio sucede no Consistório seguinte à nomeação), usando o privilégio que igualmente lhes foi concedido da inclusão do galero cardinalício no brasão.


O príncipe e grão-mestre da Ordem Hospitalar Militar Soberana de São João de Jerusalém, Rodes e Malta é um religioso de classe cardeal. Seu escudo, esquartejado em 1 e 4 Gules com a cruz de prata , é colocado em uma cruz de ouro com oito pontas esmaltadas com prata e cercada pelo colar do príncipe e grão-mestre; todos em um casaco de veludo de areia coberto de cruzes maltesas, cheias de arminho, franjadas e amarradas nas laterais e no topo com cordões de ouro, o pescoço carimbado da coroa principesca fechado com o mesmo frisado naturalmente, com o toque de areia, os braços apoiando um globo cruzado e encimado por uma cruz de ouro maltesa, esmaltada com prata

Esclarecimento: o fato de colocar o escudo no colar é um costume, os textos que regulam os usos heráldicos da Ordem de Malta não foram revisados ​​desde o final do século 19, sobra a regra de colocar o escudo dividido um rosário ao qual está pendurada uma cruz maltesa cantonada com 4 flores de lírio e encimada pela coroa Como o uso do casaco não é regulamentado, existem versões com ou sem semeadas da cruz da Ordem.


O Cardeal Grão-Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém esquadrinhou seus braços com os da Ordem, prateados na Jerusalém, atravessando Gules . Ele carimba o chapéu heráldico Gules com 5 fileiras de borlas e cordões iguais. O conjunto colocava um manto móvel da coroa de espinhos, encimado pela crista. O escudo é cercado pelo colar da ordem